quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Aves urbanas de Canela - RS

O SANHAÇO-CINZENTO (Tangara sayaca) é uma pássaro nativo da família Traupidae que vive em ambientes arborizados. Sua alimentação preferencial é formada por frutos diversos e por este motivo, é associado a florestas, praças e jardins arborizados. Eventualmente pode alimentar-se de insetos. Vocaliza fortemente na primavera para efetuar o ritual da nidificação (acasalamento e criação dos filhotes).

A CARRUÍRA (Troglodytes musculus) é uma pequena ave nativa da família Troglotydae que se distribui do sul México até o sul da América do Sul. Habita áreas de matas, bordas de capoeiras, campos e nas cidades é frequentemente visto nos jardins, telhados, construções e mesmo em praças. Anda ativamente atrás de seu alimento que se constitui de insetos, larvas, aranhas e outros pequenos animais que encontra nas áreas onde habita.

O BEM-TE-VI (Pitangus sulphuratus) é uma ave nativa da família Tiranídae que se identifica prontamente pelo seu canto estridente e repetido. É insetívoro muito ativo, caçando em áreas abertas de parque, jardins e beiras de lagos e açudes. A cor amarela da barriga e a máscara branca sobre os olhos facilita sua identificação. Ocorre do México a Argentina. 

O BEM-TE-VI-RAJADO (Myodynastes maculatus) é da mesma família do bem-te-vi (Tiranídae) e tem uma coloração bastante camuflada pelas listras pretas e brancas das penas. Isto torna esta espécie difícil de ser encontrada nas árvores das matas e capoeiras que habita. Alimenta-se de insetos que caça em voo. É uma espécie migratória que passa a primavera e o verão no sul, migrando para o norte no inverno.

O TUCANO-DO-BICO-VERDE (Ramphastos dicolorus) é uma ave grande, com um inconfundível bico longo e esverdeado. Pertence a família Ramphastidade e alimenta-se de frutos, ovos e até de filhotes de aves menores que preda dos ninhos. Nativo do sul e sudeste do Brasil, é a espécie de tucanos com distribuição mais austral (ao sul) de todas. Adapta-se bem ao ambiente urbano devido a grande oferta de alimentos (frutos e filhotes de outras aves) e locais para fazer ninhos.

domingo, 15 de maio de 2011

As cores do outono na Serra Gaúcha


Na estrada da Linha 28, Vale do Quilombo, formou-se esta paisagem matinal com um pouco de sol e neblina ao fundo. A árvore grande a esquerda é uma corticeira-da-serra e está ladeada por liquidambers em fase outonal, com suas folhas morrendo e mudando de cor até cairem completamente. A paisagem é magnífica.


No mesmo local, um detalhe dos matizes de cores que se formam em árvores próximas. É a natureza nos mostrando que o frio está chegando e que as plantas e animais estão se preparando para encará-lo. Nós com muito fogo na lareira, pinhão,  vinho e cobertor de orelhas.

sábado, 30 de abril de 2011

Um fruto maduro no muro....

Veja algumas aves que consegui atrair aqui em Canela RS, com um simples caqui maduro colocado em cima do muro. As aves, definitivamente, gostam muito de caqui...

Sanhaçu-cinzento (Tangara sayaca) 

 Sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris)

 Trinca-ferrro-verdadeiro (Saltator similis)

Tecelão (Cacicus chrysopterus)

quarta-feira, 30 de março de 2011

A grande lua cheia de março de 2011.

Lua cheia no Vale do Quilombo entre Canela e Gramado - RS


A lua sempre fascinou os homens, seja devido ao seu ciclo de luz e sombras, seja pelas histórias fantásticas que habitam o imaginário dos povos ou pelas crenças e rituais que se desenvolvem em seu entorno. No dia 19 de março de 2011 tivemos uma oportunidade de ver um  destes ciclos místicos e encantador deste satélite natural do planeta terra.

Neste ano a lua aparece maior porque está mais próxima da terra cerca de 4.000 km, e isto a amplia em cerca de 12%, fenômeno conhecido como perigeo. Este fato é devido a forma elíptica da órbita  da lua  e neste ano coincidiu de a lua estar no ponto mais próximo  da terra justamente na fase cheia. Isto que está fazendo o espetáculo. Além do tamanho e da luminosidade maior, o outro fenômeno que poderá ser visto é um ligeiro aumento nas marés, mas nada a nível catastrófico.
Lua cheia em Osório, litoral do Rio Grande do Sul, 

No domingo, 20 de março, há outro fenômeno natural que poderá ser sentido. É o Equinócio do outono que significa que nesta data o dia tem exatamente o mesmo número de horas da noite, ou seja, 12 h de sol e 12 h de escuridão, que só não é maior porque coincidiu com  o fenômeno do Perigeo . Isto marca o final do verão e início do outono. Daqui para diante, os dias vão encurtando e as noites aumentando até chegarmos no inverno. É a dinâmica da lua regulando estações e comportamentos aqui na terra. Tudo interligado e interdependente. 

domingo, 13 de março de 2011

O serelepe e a vida nas árvores.

Os esquilos, serelepes ou caxinguelês - todos sinônimos, são roedores que se adaptaram a vida nas árvores aonde encontram seu alimento, abrigo para seus ninhos e um local seguro para se livrar de muitos predadores. Apesar de arborícolas, eventualmente podem descer ao solo, onde vem buscar alguma semente ou fruto. No Rio Grande do Sul há apenas uma espécie de serelepe (Sciurus aestuans) buscando sempre locais preservados aonde tenha vegetação de grande porte. 


Tem uma postura unica entre os mamíferos, no sentido de utilizarem sua longa cauda com tufos de pelos que ajudam o roedor nas manobras de deslocamento nos galhos das árvores. Além disso a cauda serve como um excelente disfarce contra predadores quando colocada sobre suas costas e cabeça. Este exemplar da foto acima é um macho adulto, denunciado pelos testículos na região inguinal.


São muito ágeis nos galhos e troncos de árvores aonde habita, devido a eficiência das garras dos dedos das mãos e pés. Elas atuam como ganchos de apoio e permitem ao serelepe subir ou descer com muita facilidade os troncos das árvores que fazem parte do seu hábitat. 


Quando descem ao solo para apanhar alimento, o transportam na boca (foto acima), já que as patas estão ocupadas na escalada da árvore. Uma vez em um lugar seguro de um galho mais alto, o serelepe senta e começa roer sua semente, fato que o denuncia devido ao inconfundível som produzido semelhante a raspagem de dois objetos metálicos.


Na foto acima pode ser vista a sua longa cauda com os tufos de pelos que o dissimulam e protegem quando em repouso. Na presença de algum potencial predador, fica imóvel por um longo período, o que torna difícil a sua localização. Estas fotos foram feita em duas ocasiões diferentes, na mesma trilha do Ecoparque Sperry, Canela, durante este mês de março. Provavelmente trata-se do mesmo indivíduo.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Vale do Rio Silveira.


O vale do Rio Silveira, em São José dos Ausentes, é um daqueles lugares que a imagem do relevo, dos campos, da água, do ar, das pessoas do local, do astral e do silêncio impressionam e nunca mais saem da memória, evocando-nos a voltar sempre. Local muito procurado pelo Turismo Rural, especialmente para a pesca da truta, é um referencial no Rio Grande do Sul.


Acomodando-se no relevo, o Rio Silveira abre o seu caminho entre as rochas formadoras do Planalto conferindo a ele características de rio de altitude, com corredeiras, cachoeiras e muitos lajeados aonde se pode andar com água pelos joelhos, banhar-se e pescar. Um experiência única e inesquecível. 



O relevo acidentado do local permite a formação de inúmeras pequenas e grandes queda que criam um cenário edílico. Este é um dos elementos que alavanca o Turismo Rural no Município.


O Cachoeirão dos Rodrigues (foto acima) é o elemento cênico mais forte e imponente desta parte do vale. É possível visualizá-lo tanto da margem  direita (foto) quanto da margem esquerda. Neste caso e necessário atravessar o rio acima da queda, o que faz do percurso uma experiência eletrizante devido ao fato de não haver pontes e a travessia ter que ser feita a pé, encontrando-se o melhor local no leito do rio.


Um bloco de rocha no meio do rio mostra bem a riqueza e diversidade de organismos do local. Liquens (manchas brancas) e musgos (manchas verdes) habitam este ambiente rústico e instável, devido ao fato de passar submerso durante as chuvas mais fortes. Mas os organismos estão perfeitamente adaptados a esta situação. Buscam no sol, no ar e na umidade tudo que necessitam para viver.



Visitar a Cachoeira do Puma, abaixo do Cachoeirão dos Rodrigues, faz parte do passeio a este local. Uma caminhada numa trilha rústica em meio a mata de araucárias,  muito bem preservada e com inúmeros xaxins de mais de cinco metros de altura, leva a este local. Banhos e caminhadas são a grande pedida, além de outras atividades que encantam pessoalmente cada grupo de visitantes, dependendo do objetivo e da criatividade de cada um.


O Cachoeirão dos Rodrigues visto de baixo é empolgante e só pode ser visto e acessado pela margem esquerda. Mas o esforço da travessia do rio e a caminhada pelo campo, valem com sobra. O banho de água gelada no poço em frente a que d"água é estimulante. Pura adrenalina. Cuidado é necessário para evitar quedas nas pedras lisas próximo a base da cachoeira.


A travessia é aventura pura. Achar o melhor lugar para apoiar os pés, tombos, angústia e medo fazem parte do processo. No final, todos felizes e com a certeza que é possível sim atravessar um rio a pé. Os medos e inseguranças vão embora com a correnteza....


Curtir um amanhecer com neblina no vale do Rio Silveira marca a retina do visitante para sempre. Sugiro a quem for meio gaudério e goste de lugares pouco comuns, que visite o Vale do Rio Silveira e mande um abraço a pessoas especiais que moram e cuidam daquele grande pedaço do paraíso.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Lagoa do Peixe, um paraíso de aves, águas e um céu de 180 graus.





 Uma mistura equilibrada entre água, céu, fauna, vento e areia. Assim vi o Parque Nacional da Lagoa do Peixe, nos municípios de Mostardas e Tavares, RS. Estradas difíceis de transitar em épocas de chuvas, mas nada que desanimasse a vontade de percorrer as trilhas do Talhamar e da Figueira.


 As águas rasas da Lagoa do Peixe permitem a um grande número de espécies de aves encontrarem seu alimento, sempre abundante e que garante as proteínas e gorduras que as aves necessitam para continuarem suas migrações ou a sobrevivência daquelas que permanecerem no inverno na região.


 O Tachã (foto acima) e uma ave grande, abundante e que se beneficia deste ambiente alagado de campos e banhados aonde encontra seu alimento. Símbolo da Estação Ecológica do Taim, o tachã pode ser visto e ouvido com relativa facilidade nas áreas de campos alagados do parque.


 O Maçarico-de-bico-virado (foto acima) é uma das espécies que se aproveita das margens com águas rasas da Lagoa do Peixe para buscar seu alimento. Para isso utiliza-se de um bico muito especializado, longo e curvo para cima.


 O vento é modelador da paisagemn. A árvore rende-se na sua forma a constância e a força deste elemento natural, que corre pelos campo, encrespa as águas da lagoa e troca as dunas de lugar, tornando a vida dos pescadores e moradores um tanto difícil nestas épocas.


 Um dos grandes espetáculos da Lagoa do Peixe são os Flamingos (foto acima), grandes aves pernaltas que exibem uma coloração vermelha e branca, e reúnem-se em grandes bandos para desenvolverem comportamentos sociais e se alimentarem. Este bando eu localizei na Trilha das Figueiras e estava a uma boa distância da margem. Mesmo assim dá para perceber como a logoa é rasa, pois as aves estão caminhando em busca de alimento há mais de 100 metros da margem.


O Talhamar (as aves maiores da foto acima) é outra ave que caracteriza a Lagoa do Peixe. Dá nome a uma das trilhas do parque e é relativamente frequente, tanto na lagoa como no litoral. Esta espécie tem um bico cuja mandíbula (parte inferior) é maior que a maxila (parte superior). Para alimentar-se ela executa um vôo rasante sobre na superfície da lagoa e introduz a parte de baixo do bico na água e vai assim "pescando" seu alimento.


 A barra da Lagoa do Peixe (foto acima) é o local aonde há uma colônia de pescadores de camarões, um produto  típico do local. Esta barra fica, dependendo da época do ano,  aberta (as águas da lagoa fluem para o mar) ou fechada, represando todo o volume de águas no interior.



Biguás (foto acima) num pontal de grama, alinham-se de frente para o vento para melhor resistirem a força do elemento natural. Estas aves alimentam-se de peixes que capturam em mergulhos nas águas da lagoa e de canais laterais. Também utilizam o mar para a captura de seu alimento.


Como um presente de despedida da Lagoa do Peixe, esta Garça-moura se apresentou na Barra da Lagoa do Peixe no momento em que eu estava indo embora do local. Tranquila, andando atrás de peixes mostra toda a beleza desta grande garça nativa de nossos alagados. No Pantanal esta ave é chamada de Maguari.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Aves migratórias

O Rio Grande do Sul tem diversas espécies de aves que são migratórias e passam por aqui os meses mais quentes do ano para aproveitarem a abundância de alimento e as temperaturas favoráveis para a nidificação (comportamento de acasalamento, postura dos ovos e criação dos filhotes). Uma delas é o Príncipe (Pyrocephalus rubinus) que vive em áreas abertas e alimenta-se de insetos. O da foto abaixo estava nas áreas abertas do Ecoparque Sperry, em Canela.


Outra espécie muito conhecida de ave migratória que reside por aqui no verão é a Tesourinha (Muscivora tyrannus). Inconfundível pelo tamanho de sua cauda que, ao voar, abre-se em forma de V. É possível diferenciar o macho, com a cauda bem mais longa, da fêmea que a tem mais curta. alimentam-se de insetos que capturam no ar e defendem o território do ninho contra os gaviões, gralhas e outros predadores. O exemplar da fota abaixo foi registrado em uma fazenda em São Francisco de Paula e, pelo tamanho da cauda, é um macho.